Juventude rural e mobilidade territorial do trabalho no século XXI

Robinzon Piñeros Lizarazo
Antonio Thomaz Junior

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Fonte: Pegada, Presidente Prudente, v. 17, n. 2, p. 251-268, dez. 2016.

Resumo: Esse trabalho visa discutir a relação entre a mobilidade do trabalho e a juventude rural no século XXI. Por dentro desse processo propomos debater as complexas tramas do fenômeno da mobilidade do trabalho da juventude rural no âmbito das (des) identidades do trabalho enquanto reflexo do impasse de classe. Isto é, a decisão que defronta o sujeito ao ter que negar/afirmar o seu modo camponês/familiar de reprodução social para se proletarizar, fato atrelado ao movimento territorial de classe da classe trabalhadora como expressão geográfica da plasticidade do trabalho. A análise da mobilidade se apresenta como componente da reestruturação produtiva do capital, com evidentes desdobramentos para a classe trabalhadora. Com esse intuito nos auxiliamos da perspectiva de análise da captura da subjetividade, a qual coloca ao sujeito na trama do capitalismo contemporâneo e suas formas de dominação de através das inovações sócio-metabólicas. Os apontamentos finais sinalizam a juventude como mais uma categoria da interseccionalidade de classe, junto às de sexo/gênero, raça, etnia, o que potencia uma utilização e combinação destas, ora como instrumento analítico, ora de luta política.

Sumário: Introdução | A juventude rural sob o olhar acadêmico | Juventude e dinâmica territorial do trabalho | Juventude e centralidade do trabalho no século XXI | A juventude como interseccionalidade de classe | Referências bibliográficas

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Introdução

Os estudos sobre juventude e trabalho, ou melhor, as relações que se materializam nesse ambiente de realizações, durante o século XX e XXI, têm atraído mais interessados ao entendimento dos jovens urbanos. Com o interesse focado nos jovens rurais, sejam assalariados, camponeses, castanheiros, indígenas, quilombolas etc., nossas atenções requerem reflexões para que os situemos no âmbito da contradição capital-trabalho e da questão agrária na América Latina, com especial atenção para o Brasil. Isto é, nos desdobramentos para os trabalhadores jovens que fazem parte da reorganização do espaço produtivo pelo capital no campo, e se inserem nos processos migratórios do trabalho para o capital. Com base em estudos anteriores, a pretensão é aprofundar entendimentos sobre os desdobramentos do mesmo processo e suas diferentes territorialidades, ou seja, Brasil e América Latina. Para tanto, referenciamo-nos nas postulações gerais de pesquisas complementares, como o Projeto Temático, em execução, e que nos têm possibilitado situar a realidade laboral e de vida do jovem rural, inserido na órbita dos Assentamentos Rurais, oriundos da Luta pela Terra no Pontal do Paranapanema (SP), e pesquisa de doutorado focada nos jovens rurais vinculados ao trabalho nas plantações de dendê na Colômbia.

Com esse intuito, na primeira parte apresentamos revisão geral da abordagem acadêmica através de artigos e livros dos estudos sobre jovens rurais, fazendo um levantamento e análise das temáticas de trabalho, êxodo e migração. Na segunda parte, colocamos apontamentos para compreendermos as relações sociais e lutas as quais está atrelada à categoria analítica de juventude, sinalizando-a como uma das categorias da interseccionalidade de classe, junto ao gênero, raça e etnia.

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Robinzon Piñeros Lizarazo é Doutorando em Geografia FCT/UNESP/Presidente Prudente; Bolsista FAPESP; Pesquisador CEGeT/CETAS.

Antonio Thomaz Junior é Prof. dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em Geografia FCT/UNESP/Presidente Prudente; Coordenador: CEGeT/CETAS; Coordenador de Projeto Temático/FAPESP; Pesquisador PQ-1/CNPq.

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