Empregos ameaçados por falências batem recorde em 2013 na França

O ano de 2013 foi duro para as empresas na França. Mais de 63.100 declararam falência no ano passado, quase o mesmo número de 2009, no auge da crise financeira mundial. O levantamento foi feito pela empresa de consultoria Altares, que divulgou seu estudo na quinta-feira (16), em Paris. Essas falências em cascata, sobretudo no setor de pequenas, médias e microempresas, afetaram 270 mil empregos, um novo recorde no país.

Nem todos estes postos serão necessariamente convertidos em demissões, já que mecanismos de realocação são acionados pelo governo. O número de bares e restaurantes que fecharam as portas em 2013 bateu o recorde histórico. Segundo o estudo da Altares, 2014 não será diferente: outras 60 mil empresas devem falir este ano na França, daí a urgência em adotar medidas de incentivo pelo governo.

O setor industrial sofreu menos, com a quantidade de falências se mantendo estabilizada, ainda que em um patamar alto, próximo de 4.000. A exceção foi o setor agroalimentar, que viu o número de falências aumentar em 4%. Na agricultura, a notícia é ainda pior: aumento de 12% nas falências, afetando principalmente a pecuária.

Redução de encargos sociais

Entre as falências que mais repercutiram na França nos últimos meses estão a da transportadora Mory Ducros, a da fabricante de eletrodomésticos FagorBrandt e a da rede de loja de discos Virgin. Outras, como o abatedouro de porcos GAD, reduziu suas operações pela metade.

Uma das medidas anunciadas por François Hollande na terça-feira (14) para atenuar este cenário foi a redução de 30 bilhões de euros por ano, até 2017, nos encargos sociais – um dos elementos que pesam nas despesas das empresas. Se houver um aumento dos rendimentos e, por consequência, elas forem obrigadas a pagar mais impostos, o governo estuda corrigir esta distorção diminuindo a tributação sobre os lucros. Na atual conjuntura, é difícil fazer um prognóstico sobre o impacto das medidas anunciadas por Hollande. Por outro lado, existe um consenso de que o líder socialista fez uma aposta politicamente arriscada, contrariando os sindicatos de trabalhadores que criticam a perda de receita dos programas sociais. Acusado pela esquerda de optar por políticas liberais, Hollande agradou ao governo da Alemanha, que parabenizou o líder francês pelas “reformas corajosas”.

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Fonte: RFI
Data original da publicação: 16/01/2014

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