É preciso redobrar esforços para enfrentar desemprego na América Latina, diz novo diretor da OIT

O brasileiro Vinícius Carvalho Pinheiro é o novo diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe. Fotografia: OIT

É necessário redobrar os esforços para enfrentar uma situação de incerteza econômica que afeta o emprego nos países latino-americanos e caribenhos, em meio às demandas crescentes das pessoas que se sentem excluídas.

A avaliação foi feita na terça-feira (3) pelo novo diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a América Latina e o Caribe, o brasileiro Vinícius Carvalho Pinheiro, que assumiu o cargo em 1º de março.

“É um momento desafiador para a região, existe uma tendência de alta na taxa de desemprego e sinais de precariedade e maior informalidade, e a situação não melhorará se um cenário de fraco crescimento econômico se mantiver”, disse Pinheiro, que atua em Lima, sede do escritório regional da OIT.

De acordo com o último relatório de Panorama Laboral (em espanhol), apresentado em janeiro pela OIT, a taxa média de desemprego na América Latina e no Caribe aumentou ligeiramente de 8% para 8,1% em 2019 e pode continuar a aumentar para 8,4% em 2020, se as previsões de fraco crescimento econômico regional, pouco acima de 1%, forem mantidas.

A situação de incerteza é ainda maior devido ao surgimento do novo coronavírus ou COVID-19, que pode ter um impacto importante na economia e no comércio mundial, conforme informado nas últimas semanas.

Em vários países da região, os protestos e as manifestações por mais oportunidades e contra a desigualdade representam um desafio adicional aos mercados de trabalho, de acordo com o novo diretor regional da OIT.

“As reivindicações das pessoas podem estar ligadas a situações de instabilidade no emprego, baixa renda ou falta de proteção social que estão efetivamente na raiz da desigualdade”, afirmou.

O novo diretor regional ocupou anteriormente o cargo de representante especial da OIT nas Nações Unidas e de diretor do escritório da OIT para a ONU em Nova Iorque, onde foi responsável por promover questões de trabalho decente como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em 2005, ingressou na OIT como chefe do Programa de Proteção Social do Centro Internacional de Treinamento da OIT, em Turim, na Itália. Em 2007, foi transferido para o Departamento de Seguridade Social, em Genebra, para, posteriormente, exercer o cargo de conselheiro chefe do diretor-geral da OIT, de 2009 a 2012. Naquela ocasião, atuou como emissário para o G20 e foi secretário-executivo do Grupo Consultivo sobre o Piso de Proteção Social.

Antes de ingressar na OIT, Pinheiro atuou como principal especialista em pensões na Divisão de Mercados Financeiros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e foi consultor de organizações como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Em 2002, foi vice-presidente da Conferência Interamericana de Seguridade Social, realizada na Cidade do México.

No Brasil, exerceu uma série de cargos relacionados à previdência social, incluindo o de secretário de Previdência Social do Ministério da Previdência Social.

Fonte: ONU Brasil
Data original da publicação: 11/03/2020

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