Dinâmica ocupacional incapaz de baixar o desemprego

Dinâmica ocupacional incapaz de baixar o desemprego

Eduardo Miguel Schneider

Em agosto, o número de ocupados aumentou em três das cinco regiões pesquisadas: Região Metropolitana de Salvador (1,4%), Região Metropolitana de Fortaleza (1,1%) e, em menor medida, no Distrito Federal (0,3%). Contudo, ainda declinou em duas importantes regiões metropolitanas brasileiras: de São Paulo (-0,5%) e de Porto Alegre (-0,4%). Afastando-se os efeitos sazonais da análise, a comparação dos resultados de agosto com os registrados em igual mês do ano anterior corrobora a tendência de redução da ocupação: constatou-se retração do nível ocupacional em todas as regiões investigadas, com destaque para as regiões metropolitanas de Fortaleza (-5,5%) e de Porto Alegre (-4,2%).

A timidez ocupacional em um período do ano no qual, sob condições de crescimento econômico, a dinâmica da ocupação deveria ser bastante mais vigorosa, se reflete no desemprego. A taxa de desemprego total, em agosto, aumentou em duas regiões metropolitanas (Fortaleza e Porto Alegre), permaneceu relativamente estável em outras duas (São Paulo e Salvador) e declinou apenas no Distrito Federal. Já a tendência da taxa de desemprego total nos últimos 12 meses persistiu sendo de crescimento em todas as regiões pesquisadas, com destaque para o forte aumento ocorrido na Região Metropolitana de Fortaleza.

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Em julho, o Rendimento médio real dos ocupados aumentou na maior parte das regiões investigadas, somente na Região Metropolitana de Porto Alegre os rendimentos diminuíram em termos reais. O Distrito Federal continuou a registrar o rendimento mais elevado entre as regiões pesquisadas (R$2.869). Por outro lado, o menor rendimento foi observado na Região Metropolitana de Fortaleza (R$1.304). Já a tendência do rendimento médio real nos últimos 12 meses foi de redução em todas as regiões, com destaque para a retração real de 6,4% ocorrida na Região Metropolitana de Porto Alegre.

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A massa de rendimentos reais dos ocupados declinou em todas as cinco regiões pesquisadas nos últimos 12 meses findos em julho. Nessas regiões, a diminuição da massa de rendimentos foi determinada pelo impacto conjunto do declínio nos rendimentos médios reais e na ocupação.

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Maiores informações: http://www.dieese.org.br/analiseped/ped.html

Pesquisa realizada nas regiões metropolitanas de Fortaleza, Porto Alegre, Salvador, São Paulo e no Distrito Federal.

Eduardo Miguel Schneider é economista, técnico licenciado do Dieese; doutorando em Economia do desenvolvimento no PPGE/UFRGS/Bolsista CNPq.

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