Desemprego: é hora de acordar

Fotografia: Sindicato Bancários SP

Evidente que não há um projeto para o País. Há opiniões diversas, legítimas; respeitamos. Agora, não são as ideológicas que vão mostrar o caminho.

Paulo Paim

Fonte: Sul21
Data original da publicação: 15/02/2021

O desemprego está batendo recordes; deixando milhões de brasileiros na desesperança, no abatimento frio, solitário, sem perspectivas de futuro.  Um cenário que, cada vez mais, está longe do fim. E saber que, recentemente, já tivemos um período de pleno emprego.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), de 2020, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação chega a 14,6%, o que corresponde a 14,1 milhões de desempregados. Há especialistas que falam que esse número pode ser bem superior, chegando perto dos 20 milhões.

Profissionais do Santander disseram, conforme divulgado pela imprensa, que o desemprego alcançará um pico de 16,9% no primeiro semestre de 2021. Ou seja, o alerta está dado. O cenário do avanço da tragédia já pode ser visualizado. O que não pode acontecer é a inércia do governo, paralisado, vendo a banda passar com sonora marcha fúnebre.

Há diversos aspectos do desemprego. Chamo à atenção para os jovens: a taxa entre os de 18 a 24 anos está em 31,4%, outro recorde. Isso está levando à deriva uma geração inteira; vidas que buscam uma luz para fazerem os seus sonhos se tornarem realidade. Entre mulheres, negros, pessoas de meia idade, a situação também beira o caos.

Temos problemas com a nossa política industrial, setor tradicional de geração de emprego. Micro e pequenas empresas estão fechando. Os investimentos em ciência e tecnologia, educação, saúde, agricultura familiar, entre outros, são pequenos, diminutos para um País que precisa gerar postos de trabalho com qualidade. Há mais de 30 anos que o Congresso fala em reforma tributária e nada acontece.

Segundo Regina Magalhães e Annelise Vendramini, em “Os impactos da Quarta Revolução Industrial”, o uso da inteligência artificial em instituições financeiras, escritórios de advocacia, corretora de imóveis, turismo, nos serviços públicos, entre outros, deverá eliminar os empregos de grande parte da classe média. Creio que a questão é entender que o Brasil não está preparado; falta-nos compreensão de que a roda está girando. As novas tecnologias estão aí; o mundo do trabalho está mudando.

A pandemia da Covid-19 agravou todos os nossos problemas, trouxe à tona situações ignoradas, principalmente, pobreza e miséria. São 60 milhões de brasileiros nessa situação. De imediato é preciso manter o auxílio emergencial de R$ 600,00. É uma questão humanitária. Não há nada mais triste do que um pai ou uma mãe não ter comida ou um pedaço de pão para dar aos filhos.

Evidente que não há um projeto para o País. Há opiniões diversas, legítimas; respeitamos. Agora, não são as ideológicas que vão mostrar o caminho. Carecemos de discussões firmes, substanciais; olhando sempre para o horizonte; pensando e construindo um projeto de crescimento e de desenvolvimento de forma sustentável, equilibrando a economia, o social e o meio ambiente; formatando políticas humanitárias.

Paulo Paim é Senador (PT/RS).

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