Contribuição oficial é fundamental para o sindicalismo brasileiro, diz Neco da Força Sindical

Contribuição oficial é fundamental para o sindicalismo brasileiro, diz Neco da Força Sindical

Charles Soveral
DMT

Liderança dos comerciários, o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre (Sindec) e secretário de Relações Internacionais da Força Sindical, Nilton Souza, ou Neco, como é mais conhecido, diz que a Força Sindical tem uma postura independente e não se submete ao governo e nem a partidos políticos. Para ele, o fim do imposto sindical ou contribuição sindical, defendido pela CUT, Conlutas e outras centrais sindicais, não ganha apoio da central sindical de que participa, porque é fundamental para a luta dos trabalhadores. “Se olharmos para a América Latina, por exemplo, veremos que os países onde não há sustentação financeira dos sindicatos, as organizações dos trabalhadores estão fragmentadas e fragilizadas, sem poder de ação”, afirma Neco. Ele cita os casos do Paraguai, do Peru, de Honduras, do Equador e da Colômbia e atribui a situação diferenciada do Brasil aos recursos garantidos por lei. “O que torna um sindicato independente não é a fonte dos recursos, mas a postura da instituição. Se é preciso melhorar, vamos trabalhar, talvez, com mais transparência, mas não com o fim do financiamento em lei”, sustenta.

“Vejo as centrais com propósitos comuns, com poucas diferenças de pauta, vejo também que existe sim na origem partidária a sua diferença.”

Para Neco, as centrais sindicais possuem uma pauta semelhante e suas diferenças são por disputa de espaço político.  “Vejo as centrais com propósitos comuns, com poucas diferenças de pauta, mas vejo também que existe, sim, uma disputa que tem na origem partidária a sua diferença. Na Força Sindical, convivemos com militantes de todos os partidos e é possível trabalhar de forma unificada, deixando as diferenças de lado”, defende ele.

Neco entrou no movimento sindical na década de 80. Em 1987, participou da diretoria do Sindec e viu evolução nas relações de trabalho após o fim da ditadura. “Eu fui militante do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), combati a ditadura e sei as dificuldades que passamos, que os trabalhadores passaram em uma sociedade em que o patrão despedia e no lugar daquele que perdia o emprego tinha uma fila para trabalhar até por menos valor”, lembra Neco.

“O Brasil mudou muito com o Lula, mas não dá para deixar de falar em alguns avanços do governo FHC.”

Mas hoje, explica Neco, o trabalhador vive outra realidade: “Conseguimos superar as crises e distribuir renda. Hoje, quem procura mão de obra é o empresariado, e o trabalhador já pode se dar ao luxo de escolher a melhor oferta. O Brasil mudou muito com o Lula, mas não dá para deixar de falar em alguns avanços do governo FHC”, comenta Neco.

Para o secretário da Força Sindical, que também é representante para as Américas da Organização Mundial do Trabalho (OIT), cargo que compartilha com outros três sindicalistas em todo o continente, é o momento de avançar com a redução da jornada de trabalho, assegurar uma aposentadoria adequada e garantir direitos já conquistados. “A gente só garantirá a consolidação destes direitos do trabalhador, que estão se perdendo em alguns países da Europa, com a unidade de ação do movimento sindical.”

O fato de estar trabalhando junto à OIT, garante Neco, lhe permite ter uma visão antecipada de fatos que ocorrem antes no exterior, mas que acabam de muitas maneiras repercutindo no Brasil. “Estar em contato com organizações de outros países e participar destes grupos de trabalho internacionais nos oferece a possibilidade de antever fatos. Não podemos nos iludir de que a crise e suas consequências não chegarão até nós. Apesar do Brasil estar dando demonstrações ao mundo de crescimento com distribuição de renda, não somos totalmente imunes e os trabalhadores devem estar atentos”, conclui o presidente do Sindec.

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