Como os EUA apagaram a memória do 1º de Maio

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Ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.

Eduardo Galeano

[/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Fonte: Vermelho
Data original da publicação: 30/04/2019[/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.

– Deve ser por aqui – me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago nem na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.

O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos o primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.

Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.

O cartaz reproduz um provérbio da África: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador.[/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Texto retirado de “O livro dos abraços“.[/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Eduardo Galeano (1940-2015), jornalista e escritor uruguaio, é autor do clássico As Veias Abertas da América Latina (1979).[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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