Brasil não é eldorado para trabalhadores franceses

O ano de 2014 começou de verdade para a maioria dos franceses que voltou ao trabalho na segunda-feira (6). E, para muitos franceses, o grande projeto de ano novo é trabalhar em outro país. O jornal econômico “Les Echos” se questiona na edição de segunda se o Brasil é um eldorado para os trabalhadores franceses.

“O Brasil é um país de oportunidades na carreira, mas não é um eldorado”, resume o jornal. Em uma reportagem de página inteira, o diário econômico afirma que o mercado de trabalho no Brasil é promissor, mas diz que o acesso para um estrangeiro é difícil. Entre as dificuldades, está o excesso de burocracia. Jacques Métadier, diretor de recursos humanos da rede hoteleira Accor, declarou ao jornal que há muitos candidatos franceses para cargos no Brasil, mas afirmou que é preciso muita paciência para superar as dificuldades. Primeiro, é preciso provar que a empresa precisa realmente do profissional estrangeiro.

O advogado franco-brasileiro Charles-Henry Chenut critica os trâmites administrativos no Brasil. “Com frequência, ninguém responde às nossas perguntas”, disse. “É preciso tempo e dinheiro”, lamentou. Ainda segundo os entrevistados, é importante ter o famoso “QI”. Ou seja, “Quem indica”. Traduzindo: é preciso ter os contatos certos para conseguir resolver esses problemas burocráticos.

Para quem consegue superar todos esses entraves, o jornal aponta os setores mais dinâmicos para os profissionais estrangeiros. Entre eles estão o setor de tecnologia da informação, engenharia e também turismo. Outra boa notícia para os franceses: a progressão salarial no Brasil é bem mais rápida que na França. E os bônus são também bem mais atraentes.

Entusiasta do Brasil, o presidente da filial da Nissan no país, François Dossa, traça um paralelo entre o mercado de trabalho e o Carnaval. “Isso me ajudou a entender o Brasil. A bateria, o ritmo, tudo isso está nos genes do Brasil”, explicou. Para ele, apesar das dificuldades iniciais, o país traz ótimas oportunidades para os executivos. “Há uma energia incrível para mudanças. Nada a ver com a França”, disse Dossa.

Fonte: RFI
Texto: Cíntia Cardoso, com ajustes
Data original da publicação: 06/01/2014

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