Brasil: centenas de milhares de professores em greve

A repressão violenta aos professores do estado do Paraná, no Brasil, no passado dia 29 de abril, veio pôr em evidência uma realidade menos conhecida: a enorme vaga de greves que mobiliza os professores do ensino básico da rede pública, que em alguns casos persiste há quase dois meses e mobiliza centenas de milhares de docentes de seis estados e de alguns municípios específicos.

As greves envolvem os professores dos estados de São Paulo, Pernambuco, Pará, Santa Catarina, Paraná e Paraíba. E também os municípios de Macapá, Betim, Maceió, Angra dos Reis, entre outros. Em termos políticos, dos estados que têm professores em greve, três são governados pelo PSDB, dois pelo PSB e um pelo PSD.

Os professores reivindicam melhores salários, melhores condições para o ensino e o fim da precarização dos docentes. Num país que acabou de eleger uma Presidente da República que adotou, no seu primeiro discurso, o lema “Brasil, pátria Educadora”, parece um paradoxo verificar que as condições de trabalho dos professores pioraram em vez de melhorar.

Ajuste fiscal” serviu de pretexto aos governadores

É certo que o governo federal não tem responsabilidade direta por estas greves, já que o ensino básico é da responsabilidade dos governos estaduais e municipais. Mas também é verdade que os governadores têm usado o chamado “ajuste fiscal” do governo federal, o pacote de cortes orçamentais que castigou, entre outros, o ensino superior, para tomar medidas semelhantes nos estados.

É o caso de S. Paulo, que completa na próxima quarta-feira dois meses de greve. Dos cerca de 200 mil professores da rede estadual, 15 mil são temporários. No ano passado, eram 57 mil, mas com o corte de verbas e encerramento de salas, determinado pelo governo de Geraldo Alckmin, do PSDB, 42 mil foram despedidos e passaram a ser 15 mil os professores da chamada “categoria O”.

Diante da força da greve, que faz manifestações imponentes e chega a realizar assembleias gerais com 40 mil docentes, o governador responde provocatoriamente. Recusa-se a negociar qualquer aumento de salários e chegou a afirmar que “na realidade, não existe greve dos professores. Eles estão dando aulas e os alunos, estudando”. O sindicato docente, Apeoesp, afirma que a adesão à greve chega aos 75%.

Mas o governador apoia-se no muro de silêncio que a imprensa mainstream levantou em torno da greve, que se tornou uma espécie de “tema proibido” nos jornais e nos canais de TV.

Secretário da Educação do Paraná demitido

No Paraná, seis dias após a violência policial contra os professores que deixou 213 feridos, o governador Beto Richa (PSDB), numa tentativa de aliviar a pressão sobre ele próprio, anunciou duas mudanças no seu governo: a demissão do secretário estadual de Educação e do comandante da Polícia Militar do Estado.

Por outro lado, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o procurador Gabriel Guy Leger, do Ministério Público de Contas do Paraná, afirmou que a mudança na Paranáprevidência, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado na semana passada e que motivou o protesto dos professores, é “inconstitucional”.

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Fonte: Esquerda.net
Data original da publicação: 11/05/2015

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