Avaliação dos empregos e salários no mercado de trabalho brasileiro

Avaliação dos empregos e salários no mercado de trabalho brasileiro
Busca por vagas enfrenta grande concorrência nas ruas. Fotografia: Eduardo Gonçalves/Veja

Eduardo Miguel Schneider

1 – O mercado de trabalho metropolitano brasileiro

Em janeiro, o número de ocupados diminuiu na maior parte das áreas metropolitanas pesquisadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED): Porto Alegre (-2,5%), São Paulo (-1,6%) e Distrito Federal (-1,4%). A exceção foi a Região Metropolitana de Salvador, onde a ocupação apresentou variação positiva de 0,3%. A comparação do resultado de janeiro com os registrados em igual mês do ano anterior – portanto, afastando-se os efeitos da sazonalidade – corrobora a persistência da tendência de redução da ocupação: houve retração do nível ocupacional em três das quatro regiões investigadas, com destaque para as regiões metropolitanas de Salvador (-4,6%) e de São Paulo (-4,1%). Somente no Distrito Federal a ocupação variou positivamente nessa base de comparação (1,6%).

Em janeiro, a taxa de desemprego total permaneceu relativamente estável em duas regiões (Região Metropolitana de Salvador e Região Metropolitana de Porto Alegre) e variou positivamente em outras duas (Região Metropolitana de São Paulo e Distrito Federal). Contudo, a tendência da taxa de desemprego total nos últimos 12 meses persistiu sendo de crescimento em todas as regiões pesquisadas, com destaque para o incremento ocorrido na Região Metropolitana de Salvador.

Gráfico 7.1 – Taxa de desemprego total. Regiões Metropolitanas e Distrito Federal Janeiro de 2016, Dezembro de 2016 e Janeiro de 2017(em % da PEA). Fonte: Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Convênio Seade–Dieese, MTE/FAT e convênios regionais.
Gráfico 7.1 – Taxa de desemprego total. Regiões Metropolitanas e Distrito Federal Janeiro de 2016, Dezembro de 2016 e Janeiro de 2017(em % da PEA). Fonte: Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Convênio Seade–Dieese, MTE/FAT e convênios regionais.

Em dezembro, o rendimento médio real dos ocupados aumentou na maioria das áreas metropolitanas investigadas; somente no Distrito Federal o rendimento reduziu. O Distrito Federal registrou o rendimento mais elevado entre as regiões pesquisadas (R$2.984). Por outro lado, o menor rendimento foi observado na Região Metropolitana de Salvador (R$1.338). Já a tendência do rendimento médio real nos últimos 12 meses foi de redução em quase todas as regiões, com destaque para a retração real de 13,1% ocorrida no Distrito Federal.

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A massa de rendimentos reais dos ocupados declinou em todas as três regiões com dados disponíveis nos últimos 12 meses findos em dezembro. O destaque coube a Região Metropolitana de Salvador, onde a massa de rendimentos foi reduzida em 9,9%. Em todas as regiões, a diminuição da massa de rendimentos foi determinada pelo impacto conjunto do declínio nos rendimentos médios reais e na ocupação.

Gráfico 7.2 – Variação percentual anual da massa de rendimentos reais dos ocupados - Regiões Metropolitanas e Distrito Federal- Dezembro de 2015 – Dezembro de 2016 - (em %).Fonte: Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Convênio Seade–Dieese, MTE/FAT e convênios regionais.
Gráfico 7.2 – Variação percentual anual da massa de rendimentos reais dos ocupados – Regiões Metropolitanas e Distrito Federal- Dezembro de 2015 – Dezembro de 2016 – (em %).Fonte: Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Convênio Seade–Dieese, MTE/FAT e convênios regionais.

2 – O mercado de trabalho formal brasileiro

Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o saldo entre trabalhadores admitidos e desligados no acumulado do trimestre entre novembro de 2016 e janeiro de 2017 totalizou negativo no Brasil; foram 620 mil vínculos formais a menos.

Essa redução no emprego formalizado foi maior que a registrada no trimestre imediatamente anterior (-148 mil vínculos) e, também, menor que o resultado observado no mesmo trimestre do ano anterior (-826 mil vínculos). Tomando-se isoladamente os meses do trimestre em análise observa-se que dezembro concentrou os desligamentos e, também, foi o mês de menor número de contratações, de modo que foi o mês de pior resultado entre os três meses analisados.

Em termos regionais, todas as regiões geográficas do Brasil registraram saldos negativos em suas movimentações de trabalhadores no último trimestre (Tabela 7.2). Na região Sudeste a movimentação de trabalhadores formais foi maior e encerrou o período acumulando um saldo negativo de 355 mil vínculos, o pior resultado entre as regiões. A Região Norte logrou o melhor resultado entre as regiões, ainda assim com um saldo negativo de 37 mil vínculos.

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Setorialmente, no acumulado dos meses entre novembro de 2016 e janeiro de 2017, todos os setores observaram saldo negativo em suas movimentações (Tabela 7.3). O destaque negativo em termos absolutos coube aos serviços e o positivo ao Comércio – não obstante tenha sido também negativo.

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Já em termos da movimentação de vínculos de trabalhadores por faixa de remuneração, constata-se que a redução de vínculos foi generalizada (Tabela 7.4). Contudo, evidencia-se mais forte concentração dos saldos negativos nas faixas salariais até 3 salários mínimos, sugerindo persistir a forte rotatividade que caracteriza estruturalmente o mercado de trabalho brasileiro.

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Fonte: CAGED – Janeiro/2017.
Nota: os valores totais excluem os registros com a informação de remuneração ignorada.

Eduardo Miguel Schneider é economista, técnico licenciado do Dieese; doutorando em Economia do desenvolvimento no PPGE/UFRGS/Bolsista CNPq.

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