Até sindicatos aliados começam a reclamar de Cristina Kirchner

O governo da presidente Cristina Kirchner está começando a ter problemas com seus próprios aliados sindicais. Os sinais dessa tensão foram emitidos pelo metalúrgico Antonio Caló, líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT) “oficial”, central sindical alinhada com o governo. Ele afirmou que a economia está “estancada” e que a inflação “é o imposto que mais prejudica os trabalhadores”.

Enquanto os sindicatos aliados reclamam, a CGT “rebelde” – liderada pelo caminhoneiro Hugo Moyano, inimigo de Cristina desde o ano passado, quando comandou a primeira greve geral contra o governo em uma década – organiza novos protestos. Moyano convocou um apagão para a noite do dia 22 de fevereiro para manifestar-se contra o governo.

A inflação, que está preocupando Caló e Moyano, está provocando o inesperado efeito de aproximar os dois líderes sindicais. No âmbito político em Buenos Aires, especula-se uma virtual reunificação da CGT.

Além dos sindicatos, estão ficando cada vez mais intensas as pressões das associações ruralistas, que em 2008 protagonizaram cinco locautes agrários contra Cristina. Os ruralistas iniciaram ontem uma série de assembleias para avaliar a realização de uma nova manifestação nacional para protestar contra a política econômica da Casa Rosada. Eles reclamam dos pesados tributos aplicados sobre os produtores e das restrições para as exportações de diversos produtos, entre eles, a carne bovina.

Os alertas emitidos por sindicalistas e ruralistas prometem agitar 2013, ano de tensão política elevada – em outubro serão realizadas decisivas eleições parlamentares.

Inflação

O governo Kirchner anunciou no dia 15 que o índice oficial da inflação de janeiro, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), foi de apenas 1,1%. Dessa forma, segundo a Casa Rosada, a inflação acumulada nos últimos doze meses seria de 11,1%.

No entanto, na véspera, os deputados da oposição anunciaram o “Índice-Parlamento”, que consiste em uma média feita pelos deputados em base às estimativas de inflação elaboradas pelas principais consultorias econômicas de Buenos Aires. O índice paralelo foi de 2,58% em janeiro, o que indica que nos últimos doze meses a inflação acumulada teria sido de 26,28%.

Economistas, empresários, sindicalistas e – segundo pesquisas – mais de 80% da população não acreditam no índice elaborado pelo governo Kirchner, já que seria maquiado pelo Indec, organismo sob férrea intervenção governamental há sete anos.

Para tentar conter a inflação, o governo está aplicando um controvertido congelamento de preços desde a primeira semana do mês, imposto a supermercados e redes de lojas de eletrodomésticos. O congelamento, que terá vigência até o dia 1.º de abril, começa a exibir falhas, entre elas, a falta crescente de produtos em diversos supermercados. No entanto, os empresários do setor defenderam-se perante o governo, alegando que estão mantendo o acordo de preços, mas que a incipiente escassez deve-se aos altos preços do setor industrial, que não foi englobado no congelamento.

Fonte: O Estado de S.Paulo
Texto: Ariel Palacios

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