As novas exigências da reprodução da qualificação da força de trabalho para o agronegócio

Victor Hugo Junqueira
Maria Cristina dos Santos Bezerra

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Fonte: Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 24, n. 3, p. 221-238, set./dez. 2015.

Resumo: O objetivo deste texto é discutir como as transformações produtivas do capitalismo passaram a exigir novas funcionalidades e qualificações dos trabalhadores para atuar em atividades vinculadas ao agronegócio, analisando, especificamente, a expansão de cursos tecnológicos em agronegócio. Para tanto, adota-se como ponto de partida a caracterização do agronegócio como produto das transformações produtivas que atingiram o país, desde a década de 1990, para, amparado na formulação althusseriana da reprodução da qualificação da força de trabalho, avançar no exame das exigências dos setores mais representativos do capital para a formação dos trabalhadores que atendam às diferentes funções de execução e gestão das atividades ligadas ao agronegócio. A pesquisa adota como método o materialismo histórico e dialético e foi realizada por meio da leitura e análise bibliográfica e do exame de publicações governamentais e representações de classe ligadas ao agronegócio. Os resultados mostram a tentativa de preparar os trabalhadores polivalentes e flexíveis para realizar múltiplas tarefas de execução ou, simplesmente, estarem disponíveis a vender sua força de trabalho qualificada ao mercado.

Sumário: Introdução | O agronegócio no Brasil | A acumulação flexível e as novas demandas na formação dos trabalhadores pelo agronegócio | Mudanças na educação profissional e expansão dos cursos tecnológicos em agronegócio | Considerações finais | Referências

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Introdução

O campo brasileiro, desde a década de 1990, tem passado por um intenso processo de transformação, marcado pelo aumento da produção, concentração de terras e internacionalização dos mercados. Essa nova fase de desenvolvimento do capitalismo no campo, denominada agronegócio, está materialmente ancorada nos processos de reestruturação produtiva do capital, que impuseram não apenas a necessidade de encurtar o tempo de reprodução dos capitais, como implicou alterações nas relações de trabalho, exigindo maior produtividade e submissão dos trabalhadores às demandas do capital.

Além disso, essas transformações causaram um profundo impacto nos processos educacionais, com a imposição de novas demandas pelo capital para a formação dos trabalhadores. Em geral, a racionalização da produção de base flexível multiplicou as formas de subsunção real do trabalho ao capital, exigindo um aumento da escolarização e da qualificação (diferenciada) de alguns trabalhadores, ao passo que tornou o desemprego uma condição estrutural da reprodução da sociedade.

Nas atividades ligadas diretamente ao campo, os impactos dessa reestruturação produtiva do capital na organização da produção, no controle do trabalho e na formação dos diferentes trabalhadores certamente merecem um conjunto de estudos mais aprofundados. Contudo, neste texto o objetivo é discutir como as transformações produtivas do capitalismo passaram a exigir novas funcionalidades e qualificações dos trabalhadores para atuar em atividades vinculadas ao agronegócio, analisando especificamente a expansão de cursos tecnológicos em agronegócio.

Nesse sentido, adotando como método o materialismo histórico e dialético, que parte do pressuposto de que a realidade existe independentemente da consciência sobre ela, o artigo caracteriza o agronegócio como produto das transformações produtivas que atingiram o país, desde a década de 1990, para, amparado na formulação althusseriana da reprodução da qualificação da força de trabalho, avançar no exame das exigências dos setores mais representativos do capital para a formação dos trabalhadores que atendam às diferentes funções de execução e gestão das atividades ligadas ao agronegócio.

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Victor Hugo Junqueira é Doutorando e Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Licenciado em Geografa pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/Presidente Prudente). Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo (GEPEC) da UFSCar.

Maria Cristina dos Santos Bezerra é Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Professora Adjunta do Departamento de Educação da UFSCar. Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo (GEPEC) da UFSCar.

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