Ação sindical, contestação política e siderurgia na Amazônia brasileira

José Ricardo Ramalho
Marcelo Sampaio Carneiro

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Fonte: Novos Cadernos NAEA, Belém, v. 16, n. 1, p. 7-28, jun. 2013.

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Resumo: A proposta do texto é discutir as estratégias de contestação social desenvolvidas a partir da reação de movimentos sociais aos impactos da crise econômica de 2008 sobre a produção siderúrgica na Amazônia, tomando como referência a análise desse processo no município de Açailândia (MA). Ao abordar essa situação de conflito social, o texto descreve os repertórios de ação coletiva utilizados pelos metalúrgicos e seus aliados, através da constituição de uma aliança entre diferentes grupos sociais que se sentiram prejudicados pelos desdobramentos da crise econômica. Os resultados obtidos por essa mobilização mostram, em determinados contextos, a possibilidade de atores coletivos atuarem e modificarem relações de poder no âmbito de uma Rede de Produção Global.

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Sumário: Introdução | 1 Crise econômica e confronto político na localidade | 2 O polo siderúrgico de Carajás e a crise econômica de 2008 | 3 A cronologia do conflito político: atores e eventos no processo de mobilização | 4 Greves, ocupações e audiências públicas: os diferentes repertórios do conflito político | Considerações finais | Notas | Referências

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Introdução

Projetos de desenvolvimento de grande repercussão econômica, política e social, ao serem implantados em diferentes localidades, trazem consigo uma dinâmica de transformações com impactos variados sobre a sociedade e o território. O processo de adaptação às novas relações sociais criadas por essas intervenções tem desdobramentos complexos, com percepções e práticas que variam do apoio e da defesa das iniciativas, pela criação de mais empregos e de mais atividades econômicas; até sua contestação em razão dos seus efeitos, como a precarização das relações de trabalho, a degradação do meio ambiente, e o desrespeito aos direitos humanos.

Na última metade do século XX, a Amazônia brasileira presenciou a emergência de diferentes tipos de reação a estes projetos, opondo movimentos sociais aos seus principais implementadores – agentes estatais e empresas privadas (cf. CASTRO, 1989; HÉBETTE, 1991; ACEVEDO MARIN; CASTRO, 1993; ANDRADE; SOUZA FILHO, 2006). Investigar a manifestação dessas práticas de resistência e descrever as trajetórias dos principais atores permite aprofundar o debate sobre a construção de formas de contestação política a processos de desenvolvimento.

A proposta desse texto é identificar os repertórios acionados para reivindicar e criticar as desigualdades criadas por esses projetos tomando como base os impactos do Programa Grande Carajás sobre Açailândia (MA), uma das principais cidades do corredor ferroviário estabelecido pela construção da Estrada de Ferro Carajás, e que foi escolhida para abrigar um aglomerado industrial composto por empresas produtoras de ferro gusa. A ênfase se dará sobre o contexto da mais recente crise do capitalismo mundial em 2008, e pelo fato dessas empresas serem elos de uma Rede de Produção Global (RPG) (HENDERSON et al., 2011), dedicadas à exportação.

A retração na atividade econômica norte-americana, provocada pela “crise das hipotecas subprime” (HARVEY, 2011), afetou diretamente a produção de ferro gusa na Amazônia oriental. O resultado imediato foi o corte de postos de trabalho, o rebaixamento salarial e a redução das atividades produtivas, mesmo nas firmas que tinham acumulado lucros nos anos anteriores (cf. CARNEIRO; RAMALHO, 2009).

Potencializadas por esse novo contexto, as reações locais às estratégias empresariais não só se ampliaram como forjaram ou reforçaram alianças de diferentes atores sociais (incluindo até mesmo o empresariado local e os diferentes níveis da administração pública) que identificaram prejuízos, injustiças e desrespeito aos direitos básicos dos trabalhadores, culminando com uma greve de trabalhadores metalúrgicos em 2011.

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José Ricardo Ramalho é professor titular de Sociologia do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ)/Brasil-Rio de Janeiro-Rio de Janeiro.

Marcelo Sampaio Carneiro é professor associado da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)/Brasil-Maranhão-São Luís.

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