A reforma da Previdência é neutra para o crescimento

A reforma da Previdência é neutra para o crescimento
Fotografia: Thiago Freitas/Extra

André Motta Araujo

Fonte: GGN
Data original da publicação: 28/02/2019

Os últimos dados do PNAD indicaram aquilo que qualquer brasileiro de mediana inteligência sabe e percebe, o Pais está estagnado, a economia não cresce e nada indica que crescerá. Em 2018 um crescimento pífio de 1,1%, nada indica coisa muito melhor para 2019, um País congelado na pobreza.

Ao fundo, os “economistas de mercado” que dirigem a economia propagam que a reforma da Previdência, e só ela, fará o Brasil crescer. A grande mídia entrevista economistas de mercado, executivos de bancos de investimento, corretores da bolsa, ninguém da produção, muito menos da média e pequena empresa, tampouco economistas acadêmicos de uma linha progressista, só neoliberais. A reforma não fará o País crescer.

Não fará, porque o objetivo da reforma da Previdência não é o crescimento, é dar garantia aos credores da dívida pública de que seu principal e juros serão pagos. A reforma da Previdência é necessária por várias razões, mas gerar o crescimento não é nem o objetivo e nem a consequência, embora seja apregoado que o crescimento virá como resultado da reforma.

Quais os fundamentos para essa avaliação?

1. A reforma da previdência sob o ponto de vista de renda disponível para os beneficiários vai diminuir o poder de compra da ponta recebedora e não vai aumentar a renda disponível da ponta pagadora. O potencial ganho para o Estado em um futuro a longo prazo não é tão grande, quando aprovada a reforma politicamente possível e não a de Paulo Guedes. Uma economia desejada (não a verdadeira) de R$1,1 trilhão se dará quando a dívida federal deverá estar em R$8 a 9 trilhões, se mais. Todas essas projeções são exercícios ficcionais porque não se conhecem as condições da economia nacional ou mundial daqui a 10 anos, tampouco pode-se fixar tendências a prazo tão longo, nada disso tem algo a ver com investimentos a curto ou médio prazo.

Em um período de quinze anos, quando a reforma estiver operando, o PIB acumulado do Brasil, se o crescimento for zero, terá sido de R$102 trilhões (PIB de 2018 R$6,8 trilhões), nesse montante uma economia na hipótese máxima de R$1,1 trilhão não refresca.

2. A ideia de que virão investimentos por causa da reforma é esdruxula, uma variável não tem relação com a outra, nenhum empresário vai construir nova fábrica ou shopping porque foi aprovada uma reforma da previdência. Quando os propagandistas da reforma alegam que virão muitos investidores após a aprovação da reforma, eles se referem a investidores financeiros, desses que entram e saem de mercados, que são o mundo desses economistas e pensam sempre no “mercado”, bolsa, juros e câmbio, mas também essa crença é discutível, investidor especulativo não é tão seletivo com países e mercados onde operam, dá para ganhar dinheiro mesmo em países problemáticos e em crise, depende de como se entra e como se sai. George Soros montou sua fortuna de US$25 bilhões entrando e saindo de países problemáticos.

3. O investidor na economia produtiva, aquele que cria empregos e faz o PIB crescer depende de outros fatores, o mais importante dos quais é a existência de mercado para seus produtos e isso é só muito remotamente ligado à reforma da previdência. O Brasil criou milhões de empregos bons na economia produtiva em tempos de alta e persistente inflação, déficits públicos, moratórias cambiais, o fator central é a existência de demanda para os produtos que a empresa que investe na produção tem a oferecer, tendo mercado ela sabe manejar os demais fatores.

4. Nenhum grupo de gestores responsáveis de economia baseia seu plano em um só fator, especialmente em uma economia grande e complexa como a brasileira, que precisa desesperadamente crescer pela demanda que hoje inexiste na população pobre, incluindo novos consumidores, como a Índia.

5. A Reforma da Previdência é uma bandeira única de uma equipe medíocre, sem grandeza e que não enxerga um grande Pais em crescimento por políticas avançadas e não de mãos de tesoura como única ferramenta. Cortar, cortar e cortar e nada mais que cortar, que pobreza de espírito!

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