31 de outubro de 1881: nasce Edgard Leuenroth, destacado militante anarquista e nome fundamental na imprensa operária brasileira

Há 138 anos, nascia Edgard Leuenroth, destacado militante anarquista e nome fundamental na imprensa operária brasileira

Edgard Leuenroth, entre 1915 e 1917. Fotografia: Federação Nacional da Imprensa

Igor Natusch

A vida de Edgard Frederico Leuenroth é uma das mais significativas para a imprensa operária e para os movimentos anarquistas brasileiros do começo do século XX. Responsável direto ou indireto por inúmeras publicações, movimentos e iniciativas ligadas à vida de trabalhadores e trabalhadoras, o tipógrafo e jornalista envolveu-se com tantos acontecimentos significativos que escrever sobre eles vira quase um desafio, pelo risco de deixar para trás aspectos importantes dessa singular trajetória.

Nascido em Mogi Mirim (SP), em 31 de outubro de 1881, o jovem Edgard mudou-se com a família para São Paulo ainda muito novo, passando a residir no bairro operário do Brás. Abandonou a escola e trabalhou desde os dez anos, o que o levou a buscar instrução de modo informal e marcou a sua posterior visão de mundo. Começou a trabalhar como tipógrafo em  1897, aos 16 anos, aproveitando a experiência recém-adquirida para também criar seu primeiro jornal, O Boi, voltado à crítica literária. Poucos anos depois, começou a interessar-se pelo socialismo e, logo em seguida, pela filosofia anarquista, que não abandonaria pelo resto de sua vida.

Fundou o Centro Typográphico de São Paulo, que logo transformou-se em sindicato estadual dos gráficos, e criou seu primeiro periódico de conteúdo político (O Trabalhador Gráfico) como veículo oficial da nova organização. Foi o primeiro de inúmeros, tendo fundado vários deles e escrito para tantos outros, não raro com o uso de pseudônimos. A lista é longa: A Terra Livre, A Folha do Povo, A Lanterna, Spártacus, A Plebe, Ação Direta, Romance Jornal, A Lucta Proletária e O Combate são apenas algumas dessas publicações. Além desses periódicos, foi autor de cinco livros – o último deles, um volume de memórias chamado “Poeira das Barricadas”, foi editado em 1968. 

Descrito pelos que o conheceram como uma figura animada, organizada e resiliente, Edgard envolveu-se em inúmeras empreitadas em mais de seis décadas de militância. Foi um dos criadores da Escola Moderna de São Paulo, baseada na pedagogia libertária do catalão Francesc Ferrer i Guàrdia, e atuou na organização do Primeiro Congresso Operário Brasileiro, realizado em 1906 no Rio de Janeiro. Envolvido na greve geral de 1917, foi considerado pelas autoridades mentor “psíquico-intelectual” da paralisação e preso, sendo depois julgado e absolvido. Precisou também suportar a perseguição da ditadura de Getúlio Vargas, entre as décadas de 1930 e 1940, período no qual concentrou-se na atividade sindical.

Fundou a Associação Paulista de Imprensa e a Federação Nacional da Imprensa, além de participar da fundação do Partido Comunista Libertário de São Paulo, que logo se desmancharia e renderia uma desavença duradoura entre Leuenroth e Astrojildo Pereira, um dos criadores do Partido Comunista Brasileiro. Em paralelo, dedicou-se durante toda a vida a manter um extenso acervo documental, hoje conhecido como Arquivo Edgard Leuenroth e preservado pela Unicamp. 

Depois de uma vida inteira de militância anarquista e sindical, Edgard Leuenroth faleceu em 28 de setembro de 1968, aos 86 anos, em decorrência de um câncer hepático. Admirado pelos companheiros de militância ainda em vida, Leuenroth é reverenciado pelo movimento libertário brasileiro ainda hoje, sendo considerado uma das figuras mais importantes da história anarquista de nosso país.

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