23 de setembro de 1901: nasce Alberto Pasqualini, um dos mais importantes teóricos da política voltada aos trabalhadores no Brasil

Há 119 anos, nascia Alberto Pasqualini, um dos mais importantes teóricos da política voltada aos trabalhadores no Brasil

Alberto Pasqualini. Fotografia: Divulgação/PDT

Igor Natusch

Nenhuma tentativa de construir a ponte entre a política institucional e as necessidades da classe trabalhadora brasileira será completa sem mencionar o advogado e sociólogo Alberto Pasqualini. Nascido em 23 de setembro de 1901, na localidade gaúcha de Vale Vêneto (atual Itavorá, município de Júlio de Castilhos), ele hoje é amplamente reconhecido como o mais importante teórico do trabalhismo brasileiro, decisivo na formação e consolidação de um pensamento econômico e de sociedade que guiou figuras centrais na política brasileira, como Leonel Brizola e João Goulart.

Começou a carreira política como vereador de Porto Alegre, eleito em 1934 pelo Partido Libertador. Seu mandato, porém, foi interrompido em 1937, a partir da instauração do Estado Novo. Mais tarde, envolveu-se brevemente com a União Social Brasileira (para a qual chegou a escrever o manifesto de criação) antes de filiar-se ao Partido Trabalhista Brasileiro, em 1946. Pasqualini tornou-se rapidamente uma figura fundamental dentro do PTB: foi candidato a governador em 1947, perdendo por poucos votos para Válter Sá Jobim (PSD), e seu livro “Diretrizes Fundamentais do Trabalhismo Brasileiro” virou leitura obrigatória dentro do partido. 

Alberto Pasqualini defendia que a implementação do socialismo era inviável no Brasil, e baseava sua visão de trabalhismo na noção de “usura social”, decorrente da ausência de justiça social nas relações econômicas. Ou seja, o objetivo deveria ser a busca de um trabalho socialmente justo, em que o poder aquisitivo estivesse diretamente conectado ao valor social do trabalho de cada um. Nesse modelo de pensamento, o capital especulativo deveria ser combatido, uma vez que se trata de um mecanismo gerador de usura social: a busca, defendia Pasqualini, deveria ser pela criação de um “capitalismo solidarista”, que promovesse uma socialização parcial do lucro a partir de uma atuação gerenciadora e pedagógica do Estado.

Eleito senador pelo Rio Grande do Sul em 1950, Pasqualini teve papel destacado na criação da Petrobras, em especial no sentido de garantir o controle estatal sobre a exploração do petróleo. Concorreu novamente ao governo do Rio Grande do Sul em 1954, quando foi vencido por Ildo Meneghetti (PSD), e chegou a ser cogitado como candidato à vice-presidência da República na chapa de Juscelino Kubitschek – o posto acabou ficando com o então presidente do PTB, João Goulart.

Pasquali renunciou ao Senado em 1956, após sofrer um derrame cerebral. Em decorrência do problema, o político acabou perdendo boa parte dos movimentos, afastando-se completamente da vida pública até sua morte, em 3 de junho de 1960. 

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