17 de dezembro de 1928: falecimento de Eglantyne Jebb, ativista responsável pelo texto da Declaração dos Direitos da Criança

Há 91 anos, ocorria o falecimento de Eglantyne Jebb, ativista responsável pelo texto da Declaração dos Direitos da Criança

Eglantyne Jebb. Fotografia: Save the children Fund

Igor Natusch

A ativista social inglesa Eglantyne Jebb faleceu aos 52 anos, no dia 17 de dezembro de 1928. Ela estava em uma casa de repouso em Genebra, na Suíça, após anos de sofrimento causado por problemas na tireoide. Antes de sua morte, porém, ela construiu uma história de vida marcante, tornando-se reconhecida como uma pioneira mundial na luta pelos direitos da infância. Graças aos seus esforços, a ideia de que a juventude precisa ser protegida de abusos transformou-se em consenso universal, o que levou à Declaração dos Direitos da Criança – um documento global cujo rascunho ela própria elaborou, e que guia até hoje legislações protetivas e ações, tanto locais quanto internacionais, nesse sentido. 

Nascida em Ellesmere, na Inglaterra, em 1876, Eglantyne nasceu em uma família dotada de bons recursos financeiros e que sempre se comprometeu com causas sociais. Ela estudou história e pretendia tornar-se professora, mas desistiu após um único ano lecionando para uma turma de primário. Embora tenha rapidamente concluído que sua vocação não estava na educação (um sentimento ampliado pelos problemas de saúde que, embora em estágio inicial, já se faziam sentir), a experiência influenciou profundamente seu futuro. Ao ter contato com a pobreza que atingia muitos de seus jovens alunos e alunas, Eglantyne desenvolveu uma sensibilidade especial para as carências que impedem o pleno desenvolvimento das crianças. Em 1913, atuou em uma entidade que ajudava refugiados da guerra em andamento nos Bálcãs, o que reforçou suas convicções.

Fundada há cem anos, em 1919, a organização Save the Children surgiu como desdobramento do Fight the Famine Council, grupo criado para pressionar a Inglaterra a levantar bloqueios que causavam fome em países inimigos na Primeira Guerra Mundial. Com o fim do conflito, o foco mudou rapidamente, e a prioridade passou a ser providenciar assistência para as vítimas da guerra. A Save the Children estabeleceu um fundo de doações, e logo tornou-se respeitada internacionalmente, atuando em países atingidos pela escassez; um dos atos emblemáticos da organização foi levar um navio com 600 toneladas de comida e medicamentos à Rússia, um feito impressionante para a época.

Aclamada pelos seus esforços em favor da juventude e de populações necessitadas, Eglantyne Jebb tornou-se uma figura respeitada em todo o mundo, e usou esse reconhecimento para lutar por um marco internacional que protegesse crianças de abusos e privações. Escrito pela ativista e publicado em 1923, um texto breve e sucinto estabelecia aqueles que seriam, na visão do Save the Children, os direitos fundamentais de todas as crianças – entre eles, a garantia de condições para o desenvolvimento material e espiritual, o direito de serem as primeiras a receber socorro em situações de conflito e a proteção contra qualquer tipo de exploração, incluindo o trabalho precoce. De grande repercussão quando de sua publicação original, o texto seria adotado, um ano depois, como base para a Declaração dos Direitos da Criança, aprovada pela Liga das Nações e posteriormente ratificada e ampliada pela ONU.

Longe de resumir-se aos gabinetes e salões da alta sociedade, a ação reformadora de Eglantyne Jebb tornou-se notória tanto pela clareza de pensamento, quanto pelo vigor com que o colocava em prática. São numerosos os relatos sobre como a ativista distribuía panfletos nas principais vias das cidades europeias, bem como sua atuação intensa e presencial na busca por doações e na distribuição de víveres. Um século depois de sua criação, o Save the Children segue ativo, e sua estrutura pioneira tornou-se um template para as inúmeras ONGs que se desenvolveram em anos posteriores. 

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