15 de dezembro de 1944: Nasce Chico Mendes, líder seringueiro e um dos mais importantes sindicalistas da história do Brasil

Há 74 anos nascia Chico Mendes, líder seringueiro e um dos mais importantes sindicalistas da história do Brasil.

 

Chico Mendes, ícone da militância na Região Amazônica, em foto tirada no dia 10/06/1988, em Xapuri (AC). Fotografia: Fernando Marques

Igor Natusch

Reconhecido como um dos maiores ativistas em defesa das florestas de todos os tempos, Francisco Alves Mendes Filho (ou Chico Mendes, como ficou conhecido) ainda é um nome inspirador para ativistas de todo o mundo, trinta anos após sua morte. Nascido no dia 15 de dezembro de 1944, em Xapuri (AC), o sindicalista colocou o trabalho dos seringueiros, que vivem da extração de látex na mata amazônica, no centro da agenda ambiental, em um dos legados mais importantes para a luta dos trabalhadores em nosso país.

Seringueiro desde criança, Chico entrou na vida sindical em 1975, quando assumiu como secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. As ameaças de morte iniciaram logo depois, e o sindicalista foi preso e torturado em 1979, mesmo exercendo mandato como vereador de Xapuri. Participou da fundação do PT em 1980 e, no ano seguinte, assumiu a direção do Sindicato de Xapuri, cargo no qual destacou-se internacionalmente e que exerceria até sua morte, cerca de sete anos depois.

Chico Mendes defendia a reforma agrária e lutava firmemente pelos direitos dos seringueiros, que dependiam da preservação da floresta amazônica para a própria subsistência. Além disso, defendia os povos originários da região, buscando alianças para a extração sustentável de látex e castanha-do-Pará em suas reservas, além de promover ações de combate ao desmatamento. Denunciou inúmeras vezes as ameaças que sofria de fazendeiros locais, mas seus pedidos de proteção eram minimizados: semanas antes da morte de Chico Mendes, o influente Jornal do Brasil desistiu de publicar uma entrevista do seringueiro, considerando sua fala inflamada demais e alegando que ele não era relevante o suficiente para receber tanto destaque.

Os riscos que Chico Mendes sofria se concretizaram em 22 de dezembro de 1988, quando foi morto a tiros na porta de casa. Os fazendeiros Darly Alves da Silva e seu filho, Darcy Alves Ferreira, foram condenados pelo crime, em meio a uma comoção internacional motivada pelo crime.

A morte, porém, não diminuiu em nada a força de sua luta. Hoje, a área onde ele morava está consolidada como a Reserva Extrativista Chico Mendes, apenas uma das mais de 30 criadas a partir de sua influência. Fundado por sua esposa Ilzamar e sua filha Elenira, o Instituto Chico Mendes atua em projetos sócio-ambientais no Acre, e seu exemplo inspira incontáveis esforços de entidades sindicais e ambientalistas em todo o mundo.

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