14 de fevereiro de 1913: nascimento de Jimmy Hoffa, um dos mais poderosos e polêmicos sindicalistas da história dos EUA

Há 107 anos, nascia Jimmy Hoffa, um dos mais poderosos e polêmicos sindicalistas da história dos EUA

Jimmy Hoffa. Fotografia: Hank Walker/The LIFE Images Collection

Igor Natusch

Não há nada de ousadia em dizer que a figura de James Riddle Hoffa é uma das mais marcantes da história sindical norte-americana. E uma das mais polêmicas, também. Os mistérios em torno do desaparecimento de Jimmy Hoffa são tão marcantes que motivaram uma série de livros e produções cinematográficas – a mais recente, O Irlandês (2019), é dirigida por Martin Scorsese e apresenta o ator Al Pacino no papel do líder sindical. De qualquer forma, poucas pessoas influenciaram tanto a política dos EUA no século XX do que ele – ao ponto de ser considerado o segundo homem mais poderoso do país no começo dos anos 1960, atrás apenas do presidente John F. Kennedy.

Hoffa nasceu no dia 14 de fevereiro de 1913, na cidade de Brazil, em Indiana. Órfão de pai desde os sete anos de idade, Jimmy se mudou para Detroit em 1924, e abandonou a escola aos 14 anos, começando imediatamente a trabalhar como pintor de paredes para ajudar no sustento familiar. No começo dos anos 1930, enquanto trabalhava em uma rede de supermercados, Hoffa começou a envolver-se na luta organizada de trabalhadores, destacando-se de tal maneira por sua postura combativa que logo foi convidado a entrar na Irmandade Internacional dos Caminhoneiros (ou os Teamsters, como se tornaram mundialmente conhecidos), em 1932.

Na época, o sindicato tinha algo em torno de 75 mil integrantes – um número que, a partir da atuação incansável de Jimmy Hoffa, superou um milhão de associados menos de duas décadas depois. Mesmo que o líder sindical nunca tenha trabalhado como motorista de caminhão, sua liderança logo fez dele um dos nomes mais fortes de todo o país. Uma situação que trouxe, ao mesmo tempo, uma relação cada vez mais próxima com o crime organizado: como a maioria dos sindicatos de transportadoras da época tinha conexões com a máfia, tornava-se até certo ponto inevitável negociar e fazer acordos com gângsteres, algo com que Hoffa se envolveu sem constrangimentos.

O crescimento vertiginoso dos Teamsters coincidiu com o número crescente de ações criminais contra Hoffa. Em 1957, a central sindical AFL-CIO anulou a filiação do sindicato a seus quadros, afirmando que só cogitaria cancelar a expulsão caso Jimmy Hoffa não fosse mais presidente. Uma exigência que não foi aceita pelos condutores, que reelegeram sucessivas vezes o sindicalista. Mesmo quando ele estava na iminência de ser preso por suborno, em 1966, foi aclamado para um novo mandato – e, quando foi conduzido à prisão no começo do ano seguinte, deixou o cargo na mão de seu braço-direito, Frank Fitzsimmons. Ao assumir, porém, o até então companheiro distanciou-se de Hoffa, que nunca mais voltaria a comandar os Teamsters.

Hoffa foi libertado próximo do Natal de 1971, por iniciativa do então presidente Richard Nixon, mas precisou aceitar a condição de não participar de atividades sindicais até março de 1980 – uma exigência que nunca tolerou e tentou repetidas vezes reverter, sem sucesso. Seus esforços para reconquistar a liderança dos Teamsters parecem ter sido vistos como uma ameaça pela máfia, que agora o tinha como uma figura incômoda; em especial, especula-se que temiam perder o controle sobre os lucrativos fundos de pensão do sindicato.

No dia 30 de julho de 1975, Jimmy Hoffa saiu de casa para um encontro com Anthony Provenzano e Anthony Giacalone, dois capos do crime organizado de Detroit que tinham conexões fortes com os Teamsters; o encontro, ao que parece, nunca ocorreu, e Hoffa desapareceu sem deixar rastros. Apesar de uma investigação profunda do FBI, e de inúmeras versões sobre o caso (entre elas, a retratada em O Irlandês, que está longe de ser consenso), o fato é que nunca se descobriu as circunstâncias da morte de Jimmy Hoffa – adicionando um elemento permanente de mistério a uma figura que marcou, de diferentes formas, a história norte-americana.

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