14 de abril de 1854: morre o irlandês John Doherty, um dos principais nomes do sindicalismo do Reino Unido no século XIX

Há 166 anos, morria o irlandês John Doherty, um dos principais nomes do sindicalismo do Reino Unido no século XIX

Indústria de fiação de algodão na primeira metade do século XIX. Ilustração: Ann Ronan Pictures/Getty Images

Igor Natusch

Praticamente esquecido por mais de um século, o nome de John Doherty vem sendo resgatado nas últimas décadas, dando ao reformista irlandês um destacado papel na história do trabalho a nível mundial. Falecido em 14 de abril de 1854, ele é visto atualmente com pioneiro na organização de movimentos sindicais no Reino Unido, um visionário que levantou bandeiras e disseminou ideias que hoje são princípios fundamentais para a luta trabalhista.

Nascido em 1798 na pequena vila de Buncrana, Doherty trabalhou desde os dez anos de idade e migrou para a Inglaterra em 1816, em busca de trabalho na indústria de algodão. Apesar de ser falante nativo do gaélico irlandês e sem quase nenhuma educação formal, logo destacou-se em meio aos operários que se organizavam por melhores condições de trabalho nas fábricas de Manchester, onde vivia. Foi detido pela primeira vez em 1818, após liderar uma greve dos fiadores de algodão, e permaneceu cerca de dois anos na prisão. Conta-se que uma multidão tentou evitar que fosse preso, sendo necessário um regimento de soldados para dispersar os revoltosos.

Em 1828, Doherty foi eleito líder do sindicato de fiadores de Manchester; no ano seguinte, liderou uma greve de seis meses contra uma redução de salários, que só encerrou-se quando os trabalhadores, famintos, se viram forçados a retornar às máquinas. Longe de detê-lo, o relativo fracasso encorajou o irlandês a fundar o Sindicato Geral de Fiadores de Algodão, que pretendia unir trabalhadores e trabalhadoras de Inglaterra, Irlanda e Escócia. Mais tarde, foi figura decisiva na fundação da Associação Nacional para a Proteção dos Trabalhadores, que chegou a ter cerca de 150 sindicatos filiados, um número impressionante para a época. 

Doherty também se destacaria como livreiro e jornalista, editando publicações como The Voice of People (A Voz do Povo), de caráter abertamente trabalhista e que se tornou um dos jornais mais lidos da região. Em sua livraria, era possível ler uma série de publicações gratuitamente.  Nesta época, boa parte do material que produzia criticava as condições de trabalho para mulheres e crianças, além de pregar a abstinência de álcool e uma série de ideias radicais – que acabaram rendendo novos problemas com a lei, resultando em nova detenção em 1832. O ativista também circulou pela Inglaterra em mais de uma ocasião, em campanhas pela redução da jornada de trabalho. 

Os últimos anos de vida de John Doherty foram discretos, com o antes enérgico ativista se afastando quase que completamente de qualquer atividade sindical. Morreu de complicações cardíacas, aos 56 anos, deixando a esposa Laura e quatro filhos. Depois de décadas de quase completo esquecimento, Doherty é visto atualmente como um dos principais sindicalistas do século XIX. As homenagens também tiveram desdobramentos mais provincianos, mas igualmente importantes: em 2002, uma escola com o nome John Doherty foi aberta em sua Buncrava natal. 

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