12 de maio de 1926: chega ao fim a greve geral no Reino Unido, maior paralisação do tipo já registrada em solo britânico

Há 94 anos, chegava ao fim a greve geral no Reino Unido, maior paralisação do tipo já registrada em solo britânico

Grupo de mineiros durante a greve geral de 1926, Reino Unido. Fotografia: Wikimedia Commons

Igor Natusch

Durante nove dias de 1926, cerca de 1,7 milhão de trabalhadores cruzaram os braços no Reino Unido, naquela que é, até hoje, a maior greve já registrada naquela região. Encerrada no dia 12 de maio, a paralisação não teve sucesso no alcance de suas principais reivindicações, mas muitos enxergaram na mobilização a semente para um novo sentimento de solidariedade na classe trabalhadora – um “brilhante fracasso”, na descrição de Walter Milne-Bailey, que era à época secretário de pesquisa do Trades Union Congress (TUC), federação que até hoje reúne a maioria dos sindicatos nacionais do Reino Unido.

A greve esteve centralizada na indústria de carvão, que vinha enfrentando uma série de dificuldades econômicas desde o início da Primeira Guerra Mundial. Em julho de 1925, os proprietários de minas de carvão britânicas anunciaram a intenção de reduzir salários, ameaçando um lockout (no caso, impedir os trabalhadores de irem às minas) se suas demandas não fossem atendidas. O governo concedeu subsídio a esses patrões, pelo período de nove meses, e formou uma comissão de lordes para analisar a questão. Essa comissão publicou, em março de 1926, um relatório no qual recomendava uma série de medidas para controlar a crise no setor – entre elas, a retirada do subsídio e a redução dos salários em 13,5%, sem aumento de jornada. Os proprietários, contudo, anunciaram reduções de até 28%, além de mais horas de trabalho – uma medida não aceita pela TUC, que decidiu pela greve em uma assembleia geral, no dia 1° de maio de 1926. 

Iniciada dois dias depois, a paralisação rapidamente lançou a Inglaterra no caos, tendo efeitos também em outros países da Grã-Bretanha. Trens e ônibus pararam de circular, cargas ficaram retidas nas docas, e serviços de correspondência e navegação foram seriamente comprometidos. O Partido Trabalhista, que ainda buscava consolidar-se como força política, foi contrário à greve e promoveu uma série de esforços de negociação, tentando interromper o movimento com rapidez. Foi inútil: a adesão surpreendeu até a própria TUC, que praticamente perdeu o controle da paralisação.

A greve foi fortemente denunciada como uma tentativa de revolução e de destruição da democracia britânica; então primeiro-ministro, o conservador Stanley Baldwin afirmou que os grevistas estavam criando “uma trilha para a anarquia e a ruína”. Após uma decisão da Alta Corte, que considerou protegida pela lei apenas a paralisação concernente aos mineiros, a participação de outros setores passou a ser vista como uma contravenção, o que tornava os sindicatos envolvidos passíveis de punições e até de sequestro de seus bens. Nesse cenário, a impressionante adesão inicial perdeu força, e o TUC concordou em encerrar a greve em 12 de maio de 1926, a partir da promessa governamental de que as medidas propostas pela comissão seriam seguidas e que os grevistas não seriam perseguidos.

Os trabalhadores das minas ainda resistiram até novembro, mas as dificuldades de sobrevivência forçaram o retorno ao trabalho, sem reverter a redução salarial e precisando trabalhar mais horas por dia. Muitos viram a iniciativa como um erro, que apenas piorou a situação dos mineiros e reforçou a posição de patrões e políticos conservadores – não por acaso, o Reino Unido nunca mais vivenciou uma greve geral em sua história. Leituras mais recentes, contudo, têm buscado ressignificar esse ato coletivo de revolta, tratando-o como um símbolo de união capaz de inspirar as disputas trabalhistas do presente e sugerir novas abordagens ao modelo institucional vigente.

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