09 de março de 1919: é fundado o Partido Comunista Libertário, uma das primeiras organizações da militância operária no Brasil

Há 100 anos era fundado o Partido Comunista Libertário, uma das primeiras organizações da militância operária no Brasil.

Operários aglutinados na Praça da Sé, em São Paulo, durante manifestação do 1º de maio em 1919. Fotografia: Wikimedia Commons

Igor Natusch

As movimentações da Revolução Russa de 1917, que derrubou o czarismo e deu origem ao regime comunista na União Soviética, logo tiveram efeito significativo no imaginário dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Na época, as informações chegavam de forma desencontrada, e a confusão entre o comunismo e o pensamento libertário, majoritário entre os operários brasileiros de então, era generalizada. Mesmo com o fracasso da insurreição anarquista de novembro de 1918 no Rio de Janeiro, rapidamente suprimida pelas autoridades, a ideia de que as revoluções sociais surgiriam pelo mundo como uma bola de neve seguiu entusiasmando militantes brasileiros nos anos seguintes.

Há exatamente um século, no dia 9 de março de 1919, militantes anarquistas e representantes de ligas de trabalhadores fundaram o Partido Comunista Libertário do Rio de Janeiro, uma das primeiras organizações do tipo no país. Apesar do nome, tratava-se mais de um coletivo do que de um partido propriamente dito, e o ato de fundação teria contado também com delegações de estados próximos, como São Paulo e Espírito Santo. Entre seus fundadores estão figuras fortemente ligadas à imprensa operária da época, como Edgard Leuenroth e Astrojildo Pereira, e nomes significativos da militância anarquista de São Paulo, como Florentino de Carvalho e Hélio Negro, também tiveram participação nas discussões que levaram ao nascimento do partido.

O primeiro ato da entidade foi um grande comício, realizado em 1º de maio de 1919 e com grande presença de público. Logo o Partido ganharia um programa (organizado por José Oiticica, que havia acabado de sair da prisão após envolvimento no fracassado golpe de 1918), um jornal oficial (“Spártacus”, também editado por Oiticica), um livro de cabeceira (“O que é Marxismo ou Bolchevismo: Programa Comunista”, escrito por Leuenroth e Hélio Negro) e uma filial paulista, o Partido Comunista Libertário de São Paulo.

A vida da organização, porém, não foi longa. A partir do ano seguinte, a cisão entre comunistas e anarquistas brasileiros foi se intensificando – tanto enquanto divergência sobre os rumos da revolução na União Soviética, quanto como disputa por primazia ideológica junto aos movimentos operários da época. Astrojildo Pereira, que seria futuramente um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro, passou a ser um duro crítico do pensamento libertário, e a rixa entre ele e Edgard Leuenroth fez com que o movimento que fundaram juntos rapidamente se dispersasse. De qualquer forma, não foi o fim definitivo: remanescentes da filial paulista do Partido tiveram influência na criação do Centro de Cultura Social de São Paulo, fundado em  1933 e que, após idas e vindas, mantém-se em funcionamento desde sua última reabertura, em 1985.

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